Porque manter o coronavírus (COVID-19) longe de comunidades ribeirinhas é uma prioridade

Em meio a pandemia do COVID-19 que chegou ao nosso país neste mês de março, o Governo do Amazonas sabiamente barrou o acesso às unidades de conservação e comunidades ribeirinhas por tempo indeterminado. É uma medida essencial para preservar a saúde de uma população bastante vulnerável.

Para entender a importância de manter o vírus de alto poder de proliferação longe destas comunidades, é essencial lembrar o impacto que a varíola, trazida pelos europeus, teve sob a população indígena durante a invasão do Brasil: extinguiu 95% dos povos originários. Ou seja, não fomos invadidos e dizimados pela força, fomos dizimados por doenças. Ainda que no cenário atual os povos não estejam tão isolados como em 1.500, ainda existem diversas dificuldades locais que podem agravar a situação.

É sabido por todos, inclusive pelo governo, que o acesso a recursos de saúde é bem precário nessas comunidades. Estando horas distantes de centros urbanos maiores, a possibilidade de atendimento emergencial é muito baixa, caso necessária. Os postos de saúde que existentes nas comunidades são muito pequenos, funcionam apenas alguns dias da semana e todos eles sem ao menos estrutura de leitos de internação, muito menos leitos de UTI.

Além da dificuldade do ribeirinho ir até os centros urbanos a recíproca também é verdadeira e o acesso dos órgãos de saúde às comunidades é bastante complexo e custoso. A maioria delas é acessada apenas através de longas viagens em barcos, o que não só dificulta a chegada de médicos, equipamentos e medicamentos, mas também causaria um transtorno logístico em uma possível transferência de pacientes infectados das vilas para cidades com mais estrutura.

Por último, é importante lembrar que muitas dessas comunidades têm o turismo de base comunitária como atividade econômica principal e esse período de quarentena, embora necessário, será economicamente desastroso. Por conta disso, mais do que nunca, será fundamental a valorização deste tipo de turismo e do Volunturismo para a injeção de capital nas economias locais, apoio em atividades produtivas, infraestrutura comunitária e retomada da confiança para seguir a vida e os pequenos negócios em frente.

Acima de todas as dificuldades, é nosso papel como organização proteger as comunidades ribeirinhas de infecções generalizadas que possam ser trazidas por povos de outras regiões do Brasil e de outros países do mundo. Respeite a força de uma pandemia e dê tempo ao tempo até que as coisas voltem a ser seguras para todos.

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