O que é Comunicação Não-Violenta e como usá-la no Voluntariado

Neste artigo, você vai conhecer uma das principais ferramentas para isso. Descubra o que é a Comunicação Não-Violenta e como usá-la no voluntariado.


No trabalho voluntário da Vivalá com comunidades que vivem dentro ou ao redor de unidades de conservação na zona rural do país, a escuta ativa é fundamental.


Por causa disso, consideramos a CNV um assunto fundamental em nosso trabalho.





O que é CNV?


Marshall Rosenberg criou o conceito de Comunicação Não-Violenta. De acordo com o autor, a violência não é apenas física, nós podemos ser violentos, também, quando nos comunicamos.


Não se trata, porém, de falar baixo ou não usar palavrão. Nossa fala é violenta, dentre outras situações, quando julgamos uma pessoa ou um acontecimento.


Isso acontece, principalmente, quando não conseguimos separar o fato em si da nossa impressão sobre ele, ou quando não deixamos claro o que estamos sentindo ou precisando.


Logo, fica claro que a CNV não ajuda só na comunicação mas, ao mesmo tempo, no próprio autoconhecimento.


A estrutura da CNV


Para evitar que esses julgamentos aconteçam, a Comunicação Não-Violenta - CNV estabelece uma estrutura de comunicação baseada em quatro etapas:

  • Descrição do fato;

  • Definição do sentimento;

  • Identificação da necessidade;

  • Formulação do pedido.

Vamos visualizar, agora, como isso funciona na prática, analisando a seguinte frase:


“Você sempre estraga tudo porque é muito relaxado, não tem comprometimento com nada!”


1. O Fato


Primeiramente, quando eu uso termos como “sempre”, “tudo” e “nada”, estou generalizando, logo, não estou descrevendo um fato exatamente como ele acontece.


Além disso, quando uso adjetivos como “relaxado”, estou fazendo um julgamento, afinal não existe um padrão universal para definir quem é ou não é comprometido.


Eu classifico o outro como “relaxado”, portanto, com base apenas nos meus próprios critérios.


Como eu poderia, então, dizer a mesma coisa mas, desta vez, usando a CNV? A seguir, vamos ver um exemplo de como eu posso falar a mesma coisa, mas de outra forma:


“É a terceira vez nesta semana que você chega atrasado. Isso me deixa muito preocupado e frustrado, porque preciso confiar que você está tão comprometido quanto eu na conclusão deste projeto. Você pode por favor chegar no horário marcado, amanhã?”


Inicialmente, fiz uma descrição fiel do fato: “é a terceira vez nesta semana que você chega atrasado”. Isso é diferente de “sempre” ou “toda vez” chegar atrasado.


2. O Sentimento


Na sequência, expressei o meu sentimento em relação a este fato: “isso me deixa muito preocupado e frustrado”.


Neste ponto, quando eu defino meu sentimento, evito confundi-lo com uma opinião, como, por exemplo, chamar o outro de “relaxado”.


3. A Necessidade


O próximo passo, então, é expressar minha necessidade: “confiar que você está tão comprometido quanto eu”.


Por que isso é importante? Porque, se eu não falar o que eu preciso, o outro pode não saber o que fazer.


Quando eu digo “estou preocupado e frustrado porque você chegou atrasado de novo”, o outro pode pensar que, assim sendo, eu não quero que ele volte no dia seguinte.


Pode também, de outra forma, imaginar que eu estou esperando por uma desculpa ou explicação da parte dele, quando, na verdade, tudo que eu quero é que ele comece a chegar no horário.


4. O Pedido


Por fim, eu faço o pedido: “você pode chegar no horário amanhã?”. Assim, posso solucionar o problema ou, se o outro não puder atender minha solicitação, posso propor alternativas.


Como começar a praticar a CNV?


A CNV é uma técnica simples de entender, porém complicada de absorver e aplicar naturalmente no dia-a-dia.


Assim sendo, podemos começar a praticá-la por partes, por exemplo, ouvindo atentamente os outros e tentando separar os fatos das avaliações pessoais ou, ainda, os sentimentos das opiniões.


Uma alternativa para isso é pensar em tudo aquilo que te gera medo, raiva ou tristeza. Por trás de cada situação que te causa um desses sentimentos, há uma necessidade não atendida, dentre as quais podem estar a segurança, interdependência ou autonomia.


No começo é difícil mas, aos poucos, você pega o jeito. Logo, comece a praticar o quanto antes!


A CNV no voluntariado


Tudo bem, mas por que, enfim, estamos falando de CNV no blog da Vivalá?


Porque uma das principais atividades da Vivalá é o voluntariado junto às comunidades brasileiras.


Às vezes, o voluntário está cheio de boa vontade mas, com isso, acaba “atropelando” a pessoa que ele quer ajudar, porque acha que sabe o que o outro precisa.


Por isso, é tão importante aprender a ouvir, de fato, a comunidade, para entender suas reais necessidades - e é aqui que entra a CNV, ajudando a identificar e expressar essas necessidades.


Ao mesmo tempo, quando alguém se sente desanimado, desmotivado ou frustrado com o andamento do trabalho, a CNV ajuda a colocar pra fora esses sentimentos.


Em resumo: voluntariado é troca e, para haver troca, precisa existir comunicação. Logo, essa comunicação precisa ser a mais saudável possível, para que a troca tenha bons resultados.


Como saber mais


Neste artigo, apresentamos somente uma introdução à CNV, que é um campo de estudos bastante amplo. Assim sendo, se você se interessou pelo assunto, deve se aprofundar nele.


A internet está cheia de cursos sobre o tema, no entanto, se você está começando agora, nada melhor do que beber direto da fonte.


O livro “Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais”, de Marshal Rosenberg, vai ser uma grande porta de entrada para a CNV.


Quer ver como funciona o voluntariado da Vivalá na prática? Acesse, então, o calendário no nosso site e garanta agora sua vaga em uma das nossas expedições: vivala.com.br/expedicoes.


Se quiser saber mais sobre a metologia da Vivalá nos voluntariados, visite vivala.com.br/como-funciona.