O que é e como evitar o turismo predatório?

Em textos anteriores, falamos nesse blog sobre como a atividade turística pode se tornar uma aliada na luta pela preservação de ecossistemas e do meio ambiente no geral.

No entanto, é também possível que a atividade turística exerça um papel contrário à preservação de destinos e acabe por trazer mais problemas do que benefícios a uma determinada região, o que configura o chamado turismo predatório.


Existem diversas definições para esse tipo de atividade, e que envolvem várias camadas de problemas. No entanto, nesse post iremos focar apenas em como a infraestrutura que um destino possui pode ser o limite entre o turismo que acontece de maneira saudável e o turismo que gera problemas.

Vamos começar com o exemplo da Ilha do Cardoso, que já recebeu alguns grupos de Voluntários coma Vivalá nas Expedições Mata Atlântica, projeto que foi encerrado em 2019 e acontecia no litoral sul do Estado de São Paulo. Aquela região, chamada de Vale do Ribeira, concentra boa parte do que sobrou do bioma Mata Atlântica no país. Além de uma biodiversidade incrível, tem cidades históricas, é habitada por povos tradicionais e uma herança cultural muito rica. Combine todos esses fatores com praias de rios e o clima brasileiro, e temos ótimos destinos turísticos, em especial no verão.


A Ilha do Cardoso entrou nessa lista de destinos a serem visitados, e no início da década de 2010 experimentou um crescimento sem precedentes na demanda por serviços turísticos que, junto com a pesca, são a principal fonte de renda das comunidades caiçaras e indígenas que lá vivem. No entanto, esse aumento esbarrou na capacidade da Ilha em receber visitantes: houve falta de água e luz, além de excesso de resíduos gerados pelos visitantes. Isso acaba gerando descarte inadequado de muitos materias, o que pode desequilibrar a vida na água e nas florestas. Consequentemente, esses problemas poderiam levar a perdas na pesca e até na segurança alimentar das comunidades.

Esse é um ótimo exemplo – que aprendemos em nossas expedições e nos foi contado pelos comunitários da região – de como o turismo pode se tornar predatório. Um destino que é dominado pela lógica industrial de receber visitantes sem ter todos os requisitos para abastecer esse volume populacional irá sempre sofrer com algum desequilíbrio.

Além da infraestrutura, é necessário trabalhar em muitos outros fatores para que o turismo não seja predatório: a educação dos visitantes sobre como lidar com seus resíduos, a especulação imobiliária em áreas habitadas por povos tradicionais, o respeito e a valorização das heranças culturais e identidades de povos que habitam o destino, entre outras várias camadas. Como resolver isso? Voltamos para a Ilha do Cardoso. Lá, uma série de regulamentações da atividade turística, respeitando os limites da Ilha foram tomadas. A visitação possui um número máximo de pessoas por dia, existe um certo rodizio de guias certificados para realização de trilhas pela reserva ambiental e os restaurantes costeiros também têm suas práticas orientadas para uma atividade sustentável. A economia local continua sendo baseada na pesca e no turismo.


É claro que ainda existem uma série de possibilidades de melhorias na região e o trabalho não está concluído, mas é importante reconhecer um local onde o turismo ultrapassou a linha da atividade saudável para o predatório, e conseguiu achar soluções que evitassem maiores perdas e equilibrassem ganhos sociais, econômicos e ambientais.


E você, consegue pensar em algum destino brasileiro que está sofrendo com o turismo predatório? E se sim, o que você acredita que seja necessário para reverter esse problema?