Como o turismo pode ser um grande aliado da preservação ambiental?



O conhecimento científico tem trazido à tona muitas descobertas sobre as consequências que a ação humana tem no planeta. O processo mais famoso vindo dessas descobertas é o aquecimento global, e há certo alinhamento coletivo na comunidade científica de que para o planeta continuar habitável para o ser humano e outras milhões de espécies nos próximos séculos, algumas ações devem ser tomadas. Uma dessas ações é a preservação do meio ambiente: nossas florestas, rios e biodiversidade, que garantem o “bom funcionamento” do planeta em diversos aspectos naturais – sendo bastante simplista nesse ponto.

A maioria dos problemas ambientais tiveram seu maior crescimento nos últimos 200 anos, com os processos industriais se tornando uma regra e acabando por gerar alguns efeitos colaterais como o a transformação da flora em matéria prima de diversos produtos ou o desmatamento de grandes áreas para a atividade agrícola ou pecuária. Aqui não está se questionando o papel dessas atividades como essenciais à economia de um país, mas sim o paradigma criado de que riquezas só são geradas quando florestas são derrubadas – sejam para abrir espaço a algo mais lucrativo ou se tornarem algum produto de “maior valor agregado”.

E é aí que o turismo pode ser encarado como um grande aliado da preservação ambiental. Na atividade turística, há uma coisa que ninguém pode negar que faz a diferença em suas experiências: a paisagem. Há quem defenda que a paisagem é o principal patrimônio de um destino turístico, e partindo dessa afirmação podemos partir para outro questionamento: qual é o tipo de paisagem que mais atrai turistas e gera grande movimento econômico nos grandes destinos? São os de natureza! Uma combinação de ecoturismo com lazer e recreação, principalmente sol e praia e turismo de aventura. Entre os destinos mais populares estão a Floresta Amazônica no Norte, praias e dunas da região Nordeste, o Pantanal no Centro-Oeste, praias de Rio de Janeiro e Santa Catarina.

A preservação de paisagens naturais como um processo de transformá-las também como forma de movimentar economias locais é uma quebra de paradigmas essencial para que a nossas riquezas naturais sejam preservadas. Exemplos emblemáticos são a criação de Parques Nacionais e abertura de imóveis rurais para visitação em áreas de preservação, como os que existem na Chapada dos Veadeiros e na Chapada Diamantina. Ambas as regiões possuem atrativos naturais de tirar o fôlego, empoderam as comunidades locais através da atividade turística e encantam visitantes, que normalmente voltam conscientizados de que aquele local precisa ser preservado.


É importante entender que aqui não estamos querendo dizer que a solução passa apenas por transformar a natureza em um produto diferente. O ponto de vista vai na direção de entender que preservação ambiental significa preservação da vida no planeta terra, e a interação com essa vida pode sim se tornar uma atividade sustentável, trazendo prosperidade econômica, ambiental e social.