Como decidimos trabalhar em uma nova comunidade como um roteiro de Volunturismo?

Atualizado: 10 de Jan de 2020


Uma pergunta que costumo ouvir bastante é "como vocês decidem abrir um novo destino de Volunturismo?" e a resposta para essa pergunta tem variáveis muito importantes que avaliamos antes de tomar essa decisão.

Por conta disso levantei os 6 principais pontos que analisamos antes de tomar a decisão de começar um novo projeto de Volunturismo no Brasil, vem comigo:

1) Capacidade de Desenvolvimento Comunitário O Volunturismo visa deixar um legado positivo em cada comunidade onde os viajantes/voluntários passam, e para isso, deve ser analisado o real impacto que seu projeto pode ter naquela determinada comunidade.

Aqui na Vivalá vemos o empreendedorismo como a fonte mais profunda de mudança social a longo prazo. Através de mais educação empreendedora nossos mentorados ficam mais empoderados, com mais controle sobre seus negócios, mais ferramentas de aumento de receita e, principalmente, com um auxílio gratuito, contínuo e que realmente visa aumentar os resultados daquele pequeno negócio para que todos daquela família e daquela comunidade sejam beneficiados.

Como no Brasil temos 5.570 cidades, 25 milhões de empreendedores (a esmagadora maioria deles sendo microempreendedores) e muito desenvolvimento a ser feito, esse é nosso primeiro e mais amplo item da lista, ou seja, se existirem um grupo relativamente amplo de microempreendedores naquela região, ele já cumpre nosso primeiro item de seleção.


2) Conexão Local Trabalhamos em comunidades mais distantes dos grandes centros urbanos porque entendemos que longe das cidades o acesso a conteúdos gratuitos e de qualidade são ainda mais difíceis e que ai está uma grande lacuna de atuação.

Mais como acessar comunidades que estão tão distantes de nós, aqui em São Paulo? Assim entra o ponto da conexão com o local.

No começo de nosso trabalho fizemos muitas visitas para conhecer e entender mais a fundo algumas comunidades para conhecerem a gente e nossa ideia de trabalhoo. Depois de realizar um trabalho sério e contínuo esse fluxo se alternou e comunidades começaram a nos procurar para iniciar um diálogo.

Independente se fazemos uma visita ativa, buscamos uma conexão ou somos contatados para conversar, o mais importante é se conectar com membros das comunidades, pois só essas pessoas podem respaldar ou não sua atuação com a população do local.

Chamamos nosso ponto de contato em cada comunidade de "articulador comunitário". Essa pessoa é fundamental para nos passar todo seu conhecimento e fazer, em conjunto com a gente, todas as conexões necessárias dentro da região. Como muitas das regiões que trabalhamos também tem pouco sinal de telefone e internet, essa pessoa se torna uma peça chave de contato entre a Vivalá e os comunitários, por isso entendemos a fundo seu perfil e felizmente temos encontrado gente muito boa no caminho, realmente interessadas em alavancar a qualidade de vida das pessoas de sua região.

3) Comprometimento

Existe um ditado que diz "você só pode ajudar quem quer ser ajudado" e depois de muita porrada, entendemos realmente o que ele significa.

Atuamos na visão de melhorar a sociedade brasileira através de iniciativas de impacto social desde 2015 e aprendemos ao longo dos últimos 5 anos que você só pode ajudar quem quer ser ajudado. Esse foi um aprendizado gigante para nós e importante para todos os aspectos de nossa vida, não só na parte profissional.

Qualquer organização é formada por pessoas e se essas pessoas dizem que querem fazer parte de qualquer projeto, mas por algum motivo não acreditam, não estão engajadas ou não estão dispostas a colocar tempo e energia, todos nós sabemos que aquilo não vai dar certo.

Ao longo do tempo criamos ferramentas como formulários e entrevistas para entender se as pessoas daquela comunidade tem genuíno interesse de participar e tempo disponível para fazê-lo. Como nossa metodologia prevê um trabalho de 2 a 3 anos, o comprometimento se torna o valor mais importante a ser analisado em nossa empreitada. 4) Capacidade Turística O Volunturismo é a união de voluntariado com turismo de base comunitária, ou seja, as pessoas querem conhecer um lugar incrível e ajudar, de alguma maneira, a desenvolver aquele lugar para melhor. Por isso temos que unir o potencial de desenvolvimento comunitário e a capacidade que aquela região tem de receber pessoas e oferecer uma experiência verdadeiramente profunda. Quando falamos isso não quer dizer que a comunidade deva ter uma super estrutura, pelo contrário, mas que os microempreendedores locais tenham interesse em utilizar de suas organizações para facilitar a ida de pessoas que querem conhecer sua cultura, gastronomia, costumes e se aproximar positivamente de seus negócios através de um processo de mentoria especializado, bem intencionado e gratuito. Nós amamos a natureza por aqui e acreditamos que o contato com ela ajuda muito a fazer as pessoas a atingirem sua melhor forma e se conectarem com elas mesmas, por isso, praias, cachoeiras, rios, lagos, florestas, montanhas, dunas e fervedouros são tão apreciados por nós nos momentos de decisão de roteiros que possam unir muitas experiências em uma única vivência. 5) Logística O Brasil é um país gigantesco, onde cabem dezenas de pequenos outros países do mundo dentro de nosso território. Com um país tão grande se movimentar muitas vezes se torna um problema. Nossas viagens são majoritariamente realizadas em feriados, para que as pessoas possam participar de vivências de Volunturismo como as nossas, sem precisarem, necessariamente, tirar férias. Então para não passarem todos os dias em transportes, se aprofundarem na natureza local e terem tempo para fazer um ou dois dias de voluntariado com a comunidade precisamos entender no detalhe como a operação deve ser feita. Avião, van, ônibus, lanchas e canoas são usadas em nossos destinos e devem ser milimetricamente calculados para que possamos tirar o melhor de cada roteiro.

6) Precificação Por último e não menos importante é a questão de precificação. Algumas pessoas tem um pouco de dificuldade de associar a ideia de viajar para fazer voluntariado e pagar ao mesmo tempo, mas é uma questão simples que espero desmistificar agora. Do ponto de vista do voluntariado, o voluntário paga um valor muito baixo, destinado exclusivamente para ajudar a custear os materiais que serão produzidos naquela edição, ou seja, a impressão da apostila que ele irá aplicar com o microempreendedor que irá cocriar soluções. São custos realmente baixos e giram em torno de R$ 10 por pessoa em nosso modelo atual de capacitação profissional. Já do ponto de vista das viagens, evidentemente existem outros custos atrelados. O transporte até o destino, hospedagem na capital, transporte até a comunidade, hospedagem na comunidade, alimentações, seguro, guia, oficinas, passeios na natureza, entre muitos outros. Tudo isso tem um custo, e embora toda a cadeia de mão de obra queira receber a Vivalá e faça preços mais baixos do que o mercado para nos receber, ainda sim, temos custos intrínsecos da viagem. Comparando um roteiro tradicional com os roteiros de Volunturismo da Vivalá os de Volunturismo tendem a ser sempre mais baratos e isso se dá pelo ponto que expliquei aqui acima. Nossos fornecedores comunitários fazem preços um pouco mais baratos para os volunturistas do que para turistas convencionais, pois sabem da importância do trabalho e que isso os ajuda a alavancar seus negócios. Portanto, batemos forte nessa questão tentando achar um eixo comum para a maior injeção de capital nas economias locais e em contrapartida um investimento que possa ser absorvido por nossos clientes/voluntários.

Espero que tenha entendido um pouco mais da nossa visão sobre pontos importantes para começar um novo projeto de Volunturismo. Só conectando bem as pessoas e expectativas que conseguimos fazer um bom trabalho e que seja atento tanto para o presente quanto para o futuro.

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Abraços a todxs, Daniel Cabrera Co-fundador e Diretor Executivo da Vivalá